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domingo, 4 de junho de 2017

COMO PLANTAR PIMENTA. CONSELHOS PRÁTICOS, FÁCEIS E COMPLETOS

fonte; greenme.com.br

  • por Alice Branco
Como plantar pimenta
São 5 as espécies mais cultivadas de pimenta do gênero Capsicum - aquelas que são, na verdade, pimentões mais ou menos ardidos. Existem no entanto mais de 27 espécies mas, nem todas são isentas de risco para nossa alimentação. Muitas também são as variedades híbridas disponíveis. Vamos dar uma olhada para saber quais são os cuidados que devemos ter para cuidar de uma pimenteira.

As 5 espécies mais cultivadas são as seguintes:

1. Capsicum annuum

pimenta japapenha
Foto Pimenta-japapenha
A mais cultivada de todas. Aqui estão os pimentões doces (que não têm capsaicinoides nos frutos e, portanto, não são ardidos), a pimenta-caiena, a jalapenha, a thai, a pimenta banana, a pimenta-chiltepin, a guajillo, a shishito ou pimenta-japonesa, a peperoncino ou peperoncini, a Peter pepper, a pimenta-serrano e a pimenta-mulato, todas variedades criadas desta mesma espécie. Cada qual tem seu índice de ardência.

2. Capsicum baccatum

pimenta dedo de moca
Foto Pimenta dedo-de-moça
Esta espécie possui flores brancas cujas pétalas são amareladas ou esverdeadas. Nesta espécie estão as pimentas dedo-de-moça, cambuci, cumari, pimenta-pitanga e a Lemon drop.

3. Capsicum chinense

pimenta biquinho
Foto Pimenta biquinho em vaso de 5 litros
Os frutos desta espécie têm odor característico e são as pimentas mais picantes, de maior índice de ardência, que se conhecem. Nela se incluem as pimentas murupi, pimenta-de-cheiro, pimenta-de-bode, a biquinho e as pimentas híbridas Habanero, Bhut Jolokia ou Naga Jolokia, Trinidad Scorpion, Scotch bonnet e Fatalii.

4. Capsicum frutescens

capsicum rutescens
Foto pimenta-tabasco
São pimenteiras cujos frutos, as pimentas, crescem erectos e inclui a pimenta-malagueta e a pimenta-tabasco.

5. Capsicum pubescens

capsicum pubescens
Foto rocoto
Nestas pimenteiras as folhas são cobertas de pelos e as sementes são escuras. Esta espécie de pimentas é bastante difícil de se cultivar. Inclui as variedades Rocoto e Manzano.
Também existe uma grande diversidade de híbridos entre as espécies descritas porém, são cultivadas somente para uso local, sem componente comercial em sua produção assim como, algumas pimentas que estão relacionadas com fatores e usos culturais, por serem de existência endêmica.

Do que a pimenteira gosta?

Temperatura

Pimenteiras são espécies tropicais e subtropicais, originárias do continente americano e, portanto, disponíveis em uma faixa de temperatura bastante ampla - entre os 16ºC e os 34ºC podem ser cultivadas. Mas, com certeza, as pimenteiras vão se dar melhor na faixa mediana dos 26ºC, sem variações abruptas.
Pimenteiras não suportam geadas nem mudanças bruscas de temperatura.

Umidade

Algumas variedades precisam de um clima úmido constante - este é o caso da pimenta Habanero e da Scotch bonnet e outras gostam de um clima mais seco, como a Jalapenha e a Caiena.

Luminosidade

Toda pimenteira gosta de alta luminosidade e, de preferência, com sol direto tantas horas quantas tenha de direito. Afinal, pimenteiras são plantas do nosso continente, o mais iluminado de todos.

Solo

Pimenteira não suporta solo pesado então, cuide de que seu vaso esteja bem drenado, com uma mistura de solo fértil, rico em matéria orgânica e leve, bem estruturado (areia e lascas de madeira são uma boa opção). O pH do solo pode até ser um pouco ácido já que as pimenteiras se dão bem entre os 5 e os 8 graus (Capsicum annuum - pH entre 6 e 7,5 - e as Capsicum chinense - pH entre 5 e 6

Rega

Pimenteira precisa ser regada com frequência de forma a que a terra do vaso se mantenha úmida (sem encharcar pois esse fator matará sua planta).
germinação das pimenteiras
Foto Germinação das pimenteiras

Semear

Escolha as sementes de pimenteira que vai querer plantar e, mãos à obra:
1. semeie direto no lugar definitivo, na superfície do solo e recobrindo, levemente, as sementes, com terra solta
2. ou semeie em copinhos, ou na bandeja de germinação, que ficará mais fácil para você cuidar das suas mudinhas
3. mantenha o solo permanentemente úmido (controle a evaporação cobrindo as sementes com filme plástico, por exemplo)
4. a germinação ocorre em até 15 dias da semeadura e o transplante,para o local definitivo, deverá ser feito quando as mudinhas atingirem os 10 cm de altura.
5. cada pimenteira precisará de espaço lateral para se espalhar - deixe de 20 a 60 cm entre cada muda, dependendo da variedade que for semear e, entre linhas, de 60 a 120 cm (para quem vai fazer um cultivo maior do que os vasos da varanda, claro)
pimenta biquinho 2
Foto Pimenta biquinho

Tratos culturais

Assim chamamos aos cuidados rotineiros que devemos ter com as plantas que queremos cultivar:
1. retire as outras ervas do vaso da sua pimenta para que não haja comprometimento nutricional
2. algumas pimenteiras podem tombar com os frutos então, ponha tutores, como nos tomateiros
3. ao colher pimentas tenham cuidado com olhos, nariz e boca pois, sua ardência ficará nas mãos (use luvas, é o melhor conselho que lhe posso dar)

Colheita

Você poderá colher suas pimentas entre 80 a 150 dias após a germinação. A pimenteira é uma planta perene de vida curta que, em boas condições, poderá produzir por alguns anos. Nos cultivos comerciais esta planta é tratada como anual, por razões econômicas.
diversidade de pimentas
Foto Diversidade de pimentas que se podem cultivar em casa
Veja o vídeo abaixo:

E depois da colheita?

Bem, aí começa outra parte da história das pimentas vermelhas do gênero Capsicum. Cada espécie é usada de uma maneira diferente, relacionada com os conhecimentos ancestrais dos povos de onde é originária. Algumas pimentas se secam, outras são moídas até virarem pó, muitas vão para as conservas e algumas até para as geleias, como é o caso da Pimenta Biquinho, suave, doce e saborosa.
conserva de pimenta biquinho
Foto Conserva de Pimenta Biquinho
Todas as pimenteiras são esteticamente bonitas, não tenho dúvidas porém, eu adoro a Biquinho, em todos os sentidos e, principalmente, sua geleia doce, que vai bem em muitas receitas até como tempero. Algumas boas receitas para o uso da pimenta biquinho você pode ver aqui assim como outras informações técnicas específicas sobre as pimentas artesanais.
Uma curiosidade não menos importante é que, para nós brasileiros a pimenteira é uma planta de proteção, contra o mal olhado, claro! E, porque isso é importante? Porque nossa cultura ancestral, oriunda de portugueses, negros e indígenas, acredita que as plantas podem barrar as energias maléficas que nos são direcionadas - ou seja, esta crença faz parte da nossa verdade de ser.

sábado, 22 de setembro de 2012

O coentro decora a convivência com a seca



por Mario Osava, da IPS

IPS13 O coentro decora a convivência com a secaUm camponês de Macururé, município de clima muito seco, em uma área de sua nova horta. Foto: Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada
Jeremoabo, Brasil, 14/6/2012 – Muitos cultivam alface, tomate, cenoura, beterraba e outros vegetais, mas é o coentro a decoração constante nas hortas que ajudam famílias camponesas a suportarem a prolongada seca que novamente afeta a região Nordeste do Brasil. “Pelo sabor” que agrega a “feijão, carnes, macarrão, em tudo”, o coentro tem a preferência, explicou Silvia Santana Santos, uma beneficiária do Projeto Gente de Valor (PGV), que disseminou “quintais produtivos” em 34 municípios da Bahia, nos quais a escassez hídrica alimenta a pobreza.
A inclinação por essa erva estimula a incorporação das famílias a iniciativas que estão melhorando a convivência com o clima semiárido e a forma de vida em 282 comunidades rurais, as mais pobres da Bahia, segundo identificou a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), órgão estatal que executa o projeto. As três principais metas do PGV são instalação de pequenas infraestruturas hídricas para armazenar água de chuva, aumento produtivo e capacitação, com investimento de US$ 60 milhões, metade financiada pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida) e o restante pelo governo baiano.
“Feijões ninguém compra, mas o coentro sim”, disse Júlio Santos, cujos sete filhos com Silvia Santana ampliaram a população do Sítio Taperinha, hoje com mais de cem famílias, do interior de Jeremoabo, um dos municípios incluídos no projeto, que a IPS visitou. A seca destruiu a plantação de milho e feijão, mas as hortaliças “vendemos a cada 15 dias”, sem interrupção, contou o agricultor, que aceitou abandonar seu cultivo tradicional de grãos, vulneráveis aos riscos climáticos do semiárido, onde vivem 22 milhões dos 198 milhões de brasileiros.
A horta poderá ser a principal atividade da família no futuro, reconheceu Júlio. Sua rentabilidade está assegurada pela irrigação com água de “cisternas de produção” fornecidas pelo projeto. São dois tanques de cinco mil litros cada um, semienterrados para poder recolher a chuva que escorre pelo solo. A seca esgota essa água em dois meses, mas a família Santos conta com uma bomba para se abastecer de um manancial próximo e expandir a horta. Além disso, com ajuda do projeto, começou a produção de mel, interrompida este ano pela seca.
As hortas do projeto somavam 5.644 até fevereiro e “mudaram os hábitos alimentares das pessoas”, reconheceu Gilberto de Alcântara, antigo morador de Curralinho, uma comunidade do município de Itapicuru, 175 quilômetros ao sul de Jeremoabo, a cidade cabeceira principal, que tem 35 mil habitantes. Além disso, “valorizaram as mulheres”, pois são elas que cuidam das terras agrícolas utilizadas em terraços perto de suas casas, segundo Cleonice Castro, jovem ativista comunitária de Jeremoabo e da Pastoral da Infância, da Igreja Católica que ajudou a reduzir a mortalidade infantil no país. E todos se alimentam melhor, acrescentou, “sem venenos, porque não usamos agrotóxicos”.
O “excelente foco nas comunidades mais pobres” e a ativa participação feminina e juvenil são aspectos que fazem Gente de Valor “uma de nossas melhores experiências” em numerosos países, disse Ivan Cossio, gerente de programas do Fida no Brasil. Os mesmos beneficiários se capacitaram para administrar os recursos recebidos “com eficiência e transparência”, acrescentou. Algumas técnicas melhoram a produtividade de hortaliças e outras atividades tradicionais neste meio rural, incrementadas pelo projeto, como criação de caprinos e ovinos, apicultura, produção de castanha de caju, derivados de mandioca, frutas nativas e artesanato.
As hortas, por exemplo, incluem um plástico sob os três terraços habituais para evitar que a água vaze pelo subsolo, e telas para fazer sombra acima, a fim de reduzir a insolação excessiva e a evaporação, explicou Carlos Henrique Ramos, agrônomo da CAR e subcoordenador do PGV. A segurança alimentar e o aumento da renda são as metas produtivas, destacou. Os “quintais produtivos”, com suas cisternas duplas e outros depósitos subterrâneos maiores destinados à água potável, a capacitação em gestão hídrica e a assistência técnica agrícola são as ações mais generalizadas do projeto, que beneficia cerca de 36.500 pessoas diretamente, além de outras 55 mil indiretamente.

Sua execução envolveu oito entidades não governamentais, de atuação local sob orientação do PGV, para atender “os mais pobres entre os pobres”, enfatizou Cesar Maynart, coordenador do projeto. São organizações sociais que integram um amplo movimento de desenvolvimento e difusão de tecnologias de baixo custo e promovem uma forma de vida afinada com o clima semiárido. Um exemplo são as cisternas de 16 mil litros para recolher água de chuva a partir dos telhados das casas, das quais há cerca de 400 mil instaladas no Nordeste. Outra ação do PGV que alivia as secas é o aproveitamento forrageiro das espécies da caatinga, a vegetação típica deste território semiárido do país, e seu armazenamento como se faz com o feno. Isto garante alimento para o gado durante as estiagens mais severas e prolongadas.

“Aprendi muito, não sabia que a moringa é forrageira”, contou Gilberto Alcântara, da comunidade de Curralinho. Trata-se de uma árvore originária da Índia que cresce em terrenos secos e adaptou-se muito bem ao clima nordestino. “Ignorava que o guandu, que conheço desde criança, também serve de forragem”, acrescentou João dos Santos, de 26 anos, agente de desenvolvimento subterritorial (ADS) de Curralinho.  Os ADS são promotores do Projeto Gente de Valor, em geral jovens escolhidos nos subterritórios, como é denominado cada grupo de comunidades participantes.

A forragem feita de plantas locais é primordial, especialmente no município de Macururé, no norte da Bahia, onde são criados caprinos, por sua maior resistência ao clima muito seco. Ali o ADS local, Adriano Souza, coordena um “ensaio agroecológico” que experimenta o cultivo de 17 espécies como forragem. Miguel José dos Santos, de 67 anos, se prepara para “vender tudo o que lhe resta” por temer que a seca se prolongue. São nove vacas, “que valem muito”, cerca de US$ 450 cada uma, mas custa alimentá-las porque “o milho duplicou de preço”, lamentou, enquanto se conforma em criar apenas caprinos. Os camponeses, explicou Ramos, persistem em criar bovinos porque os consideram “uma poupança, uma reserva” para momentos de penúria. Contudo, na seca são forçados a vendê-los a preços baixíssimos. Envolverde/IPS
(IPS)