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segunda-feira, 7 de maio de 2018

Europa proíbe uso de neonicotinóide, agrotóxico mais usado no mundo todo


Fonte: conexão planeta


Europa proíbe uso de neonicotinóide, agrotóxico mais usado no mundo todo
Na última semana a União Europeia tomou uma decisão histórica: decidiu banir o uso do neonicotinóide,
substância derivada da nicotina e utilizada para controlar pragas.
O neonicotinóide é um dos pesticidas mais consumidos no mundo inteiro. O grande diferencial deste  
agrotóxico para outros tipos é ele ser sistêmico, ou seja, se espalhar por toda a planta: folhas, flores, ramos,
 raízes e até, néctar e pólen. Em geral, é colocado na semente e a partir daí, toda a planta fica com vestígios
dele.
Todavia, vários estudos internacionais já comprovaram seu efeito nocivo sobre polinizadores. Um deles,
publicado em 2016, conforme mostramos aqui, neste outro post, revelava que o neonicotinóide prejudicava
a habilidade das abelhas, sobretudo dos zangões, de vibrar e desta maneira, sacudir as flores para efetuar a
 polinização.
Em outro estudo – “Impacts of neonicotinoid use on long-term population changes in wild bees in England
 -, realizado pelo Centre for Ecology and Hydrology do Reino Unido, cientistas relacionaram o pesticida
com o declínio da população de 62 abelhas selvagens na Inglaterra, entre os anos de 1994 e 2011 – período
este em que a substância tornou-se bastante popular e sua utilização foi intensificada.
Desde 2013, havia uma moratória para o uso deste agrotóxico nos países da Comunidade Europeia. Mas na
sexta-feira (28/04), a European Food Standard Agency deu seu parecer final sobre a proibição de seu uso
 na agricultura. Todavia, ele poderá ser empregado em cultivos em estufas, o que gerou algumas críticas.
A decisão entra em vigor em seis meses, ou seja, até o final de 2018. Mais de cinco milhões de pessoas
 tinham assinado uma petição online pedindo para que o neonicotinóide fosse banido.
“Proibir esses pesticidas tóxicos traz esperança para a sobrevivência das abelhas”, afirma Antonia Staats,
da organização Avaaz. “Finalmente, governos estão ouvindo seus cidadãos, as evidências científicas e os
agricultores, que sabem que as abelhas não podem viver com esses produtos químicos e nós também não
podemos viver sem as abelhas.”
Obviamente, houve gritaria entre os fabricantes de agrotóxicos e algumas associações de agricultores, que
dizem que a proibição trará impacto sobre a produção de alimentos na Europa.

Agrotóxicos no Brasil

No Brasil, infelizmente, o neonicotinóide ainda é liberado. E na semana passada, a bancada ruralista da
Câmara dos Deputados, em Brasília, apresentou um projeto para derrubar restrições à aprovação de uso de
 agrotóxicos no país.
O texto do deputado Luiz Nishimori, do Paraná, prevê que estes produtos passem a ser chamados de
 “fitossanitários”. A intenção de mudar o nome é mascarar os efeitos dessas substâncias e assim, conseguir
 sua aprovação mais rápida.
Atualmente a liberação desses produtos no Brasil depende de autorização de órgãos do Ministério da
Agricultura, Saúde e Meio Ambiente, processo este que pode levar até cinco anos. O projeto de Nishimori
faria com que o prazo fosse diminuído para 12 meses, caso nenhuma autoridade tenha se mostrado contrária
 a ele neste período.
O mais alarmante, entretanto, é um dos pontos do texto que revoga a proibição de agrotóxicos com
características teratogênicas, relacionadas com casos de câncer e anomalias no útero e mal formação
do feto.
A votação da proposta será feita no próximo dia 8 de maio. Se aprovado na comissão especial da Câmara,
seguirá para discussão no plenário.
Então a hora é da sociedade civil se unir e protestar com este absurdo!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Herbicida natural a base de repolho. vamos testar?

Herbicida Natural, uma dica? e sua receita...

fonte:http://oextensionista.blogspot.com.br/2012/02/herbicida-natural-uma-dica-e-sua.html#.VAXx4cVdWSw

Recentemente em Vazante, Minas Gerais, testamos um herbicida natural feito com REPOLHO
 (resultados nas foto 1, 2 e 3). Não sou muito favorável com técnicas ou ações deste tipo na agricultura.

 No entanto, temos uma cultura veneneira tão desgraçadamente invadida que desde o mais pobre 
agricultor ao mais rico fazendeiro, quando o causo e mato, se fala em aplicar o Herbicida, 
principalmente o Roundup da empresa Monsanto, o "mata-mata" ou "mata-mato"...

Na Agroecologia se falam muito em transição. Transição da agricultura convencional para a agroecológica. 
Uma diminuição do uso de agrotóxicos e adubos químicos gradativamente até cessar totalmente seu uso e, 
a posterior, redesenho do manejo agroflorestal na propriedade produtiva. Neste caso, o "herbicida natural" 
teria uma estratégia importante dentro da agroecologia, tanto para tirar a cultura veneneira imposta, 
como também, para cessar de vez com o uso do veneno e suas transições.

O mato surge para curar o manejo errado - gradagem, subsolagem, aração, etc. - em solos tropicais
 brasileiros, devido ao arcaísmo técnico. São eles que protegem a carne nua e exposta ao sol e às 
chuvas fortes, amortecendo-as; traz grande diversidade de raízes que dão vida ao subsolo e disponibiliza 
nutrientes nas camadas mais superficiais, como também, mais profundas. Portanto, deixar crescer
 o mato e depois cortá-lo é o manejo mais certo a ser aplicado em solos tropicais.


Podemos neste tipo de ação física e biológica, enriquecer o mato e o solo, a posterior, plantando 
uma muvuca de sementes contendo uma diversidade de espécies leguminosas e gramíneas. 
Chamada de Adubação verde, representa a adubação nitrogenada, potássica, fosfórica, etc. 
através de plantas. Enriquecer o mato anteriormente ao corte, com pulverizações de biofertilizantes 
a base de Fosfito - fósforo livre, processo de combustão lenta da palha de arroz + farinha de ossos
 moída, fortalecera a adubação. 

Não aconselho o uso do herbicida pelo fato da rápida secagem, podendo haver perda de nutrientes e
 quebra de uma cadeia alimentar importante no solo, pois na sua síntese, a matéria orgânica, gerada ou 
plantada, colocada ou natural, deverá passar pela faze biológica em transformações húmica e úmida
 pelos microorganismos. Os nutrientes presentes no mato cortado ou na adubação verde irão alimentar 
bilhões de micro vidas no solo para depois ser utilizado pelas plantas que desejamos. Nossa interferência 
na teia alimentar deverá ser mínima.
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Receita do herbicida natural: cortar em pedaços 3 kg de Repolho e deixar de molho em 10 litros de
 água. Deixar num lugar sombreado, ventilado e tampar o recipiente por 21 dias. Mexer um pouco às vezes.
 Diluir 1 litro da solução coada em 10 litros de água e pulverizar. Para se fazer a desecagem do feijão, soja,
 etc, para a colheita, misturar 1 kg de sal iodado. O sal também pode se misturar para a aplicação sobre o
 mato, intensificando a ação da secagem. Somente o Repolho já dá um bom resultado, veja as fotos abaixo.
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Outras plantas foram estudadas e possui efeito herbicida natural: feijão-de-porco (uma leguminosa) batata,
 folhas de goiabeiras. No caso do feijão-de-porco somente o teu plantio e depois o corte, inibe o crescimento
 de plantas espontâneas.

Deixem o MATO crescer e depois cortem; simples assim. O MATO não MATA!
Abraços

Oliver Blanco

Foto 1. Local de aplicação do herbicida a base de Repolho.

Foto 2. Ação do herbicida de repolho em folhas largas e finas.

Foto 3. Comparação de uma área onde foi aplicado o herbicida e outro não.


fonte:http://oextensionista.blogspot.com.br/2012/02/herbicida-natural-uma-dica-e-sua.html#.VAXx4cVdWSw

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Agroecologia: "É hora de pensar em outras maneiras"

FONTE:   http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/565320-agroecologia-e-hora-de-pensar-em-outras-maneiras
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Engenheiro agrônomo especializado em agroecologia, Eduardo Cerdá defende a necessidade de desenvolvimento de outro modelo agropecuário, menos dependente de insumos e sem consequências para a saúde ou para o meio ambiente.
Eduardo Cerdá é vice-presidente do Centro de Graduados da Faculdade de Agronomia da Universidade de La Plata, conselheiro de campo e uma referência na produção agroecológica com participação em casos emblemáticos (como na fazenda La Aurora, em Benito Juárez, Buenos Aires). Também é membro da Sociedade Científica Latino-Americana de Agroecologia (SOCLA) e um ativista de um outro modelo agropecuário. Nesta entrevista ele fala sobre a necessidade de implementar a agroecologia, alguns exemplos concretos, as consequências do agronegócio, o papel da universidade e as potencialidades do setor.
A entrevista é de Darío Aranda, publicada por ALAI, 24-02-2017.  A tradução é de Henrique Denis Lucas.
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Eis a entrevista.
O que é agroecologia?
É tornar os conceitos de ecologia e de produção agropecuária compatíveis.
Em uma nova prática?
Na agronomia há muitas ramificações, como na medicina. A agroecologia é um desses ramos, uma especialização, uma forma profunda de compreender a produção agropecuária. É um ramo relativamente novo para os agrônomos formados com muito pouca base ecológica. Infelizmente a agronomia e a veterinária sempre estiveram mais voltadas para a produção, sempre em busca de rendimento, e isso nos fez ter um olhar muito baseado nos insumos agrícolas. O engenheiro agrônomo acaba preocupado com este ou aquele produto e com suas doses. Perdeu-se de vista tudo o que está relacionado com a ecologia, a relação entre vegetais, solos, animais. Esse olhar é muito necessário e nos deparamos com a falta de profissionais para projetar, desenvolver e acompanhar o produtor em sua produção tratando de alterar o meio ambiente o menos possível.

Isso está relacionado com o uso de agroquímicos?

Muitas vezes as pessoas dizem que não querem pulverizar suas plantações, pois as doenças nas áreas pulverizadas são muito notórias. E, geralmente, as instituições dizem que não é possível produzir sem agrotóxicos. Isso é a falta de informação. Quem sabe eles não saibam como produzir. Mas existem estratégias para fazê-lo.

Algum exemplo concreto?

Em quinze anos, na região sudeste de Buenos Aires, obtivemos uma média de mais de 3.300 quilos de trigo, mais de 5.000 quilos agora (entre 2014 e 2015), e em comparação com os vizinhos, estamos em situação muito parecida. Com a diferença de que, na medida em que os solos e as plantas são favorecidos, não usamos fertilizantes químicos ou herbicidas. Mantemos um custo de 150 dólares por hectare e os vizinhos foram subindo, pois já estão quase entre 350 e 420 dólares de custo (safras de 2014/15 e 2015/16). Mantivemos o nível dos custos e os rendimentos foram subindo.

O que dizem os produtores vizinhos?

Eles ficam interessados, mas não estão informados de que existem tais alternativas. É um processo a ser feito com os produtores. Mostrar que a tecnologia proposta (transgênicos) prometia um excesso de otimismo, pois acreditava-se que com um herbicida tudo poderia ser controlado, mas a natureza não funciona dessa forma. As plantas tornaram-se resistentes, antes os gastos com herbicidas custavam oito dólares e agora custam 30, anteriormente eram usados dois litros por hectare e agora são necessários mais de dez litros. Onde isso vai parar? O produtor está vendo que essas linhas de raciocínio estão levando-o a um alto uso de agroquímicos, com alto risco tanto para o seu bolso quanto para a sua saúde. É um beco sem saída.

Quais são suas opções?

Há uma outra maneira de fazer isso. A agroecologia é uma ferramenta para pensar e se colocar a favor da vida. Em vez de controlar os insetos e plantas através de venenos, é possível fazê-lo de outra maneira, que funciona bem. É hora de pensar em outras maneiras. A agroecologia vem para trazer elementos da ecologia, que são princípios universais de gestão de estabelecimentos agropecuários com um olhar sistêmico, para trabalhar em equilíbrio e usar muito poucos insumos externos.

O que falta para fomentar este modelo?

Requer um olhar diferente para o campo, para protegê-lo, e ao mesmo tempo, isso irá favorecer o produtor. Há de se ter bem claro que nenhum pesticida é necessário para produzir alimentos. Trata-se de pensar em outro tipo de agricultura e isso não significa voltar 60 anos atrás, como alguns costumam dizer. Também é necessário esclarecer que não existem receitas, pois não se trata de copiar, porque cada região tem sua particularidade e é necessário tentar e ir adaptando.

Qual é o papel da universidade?

Muito importante. Nem todos os profissionais querem produzir para o modelo atual e há produtores que querem um outro tipo de agricultura. Os cidadãos não querem pulverização perto de suas casas, por isso é fundamental que seja feita uma outra agronomia nessas áreas. E esta é uma oportunidade para os profissionais ao deixarem um modelo de agronomia química que prejudica a saúde.

Em muitos lugares são solicitadas regiões livres de produtos químicos, cinturões agroecológicos.

Os cidadãos têm o direito de não serem pulverizados. Agrônomos e veterinários tomam isso como ofensa, acreditam que não é possível produzir. Ao invés de ofensa para os profissionais, haveria de ser uma oportunidade. A universidade, o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária da Argentina (INTA), as faculdades de engenheiros agrônomos, todas as entidades devem se aprofundar na agroecologia. É imprescindível produzir sem deteriorar os recursos.
Qual é o seu balanço do modelo de agronegócios, com transgênicos e produtos químicos?

Há vários aspectos. Um deles é a sociedade e a saúde, onde são percebidas doenças, câncer, más formações e desequilíbrios físicos. É uma agricultura com muitos insumos e custos. Relacionando com a farmacologia, a maioria das pessoas usam mais medicamentos e o mesmo acontece na agricultura. É um processo que exige cada vez mais insumos.

Na década de 90 custava 100 dólares para fazer um hectare de trigo, há dez anos custava 200 e hoje custa mais de 300 dólares. Aumentaram os insumos e aumentaram as doses. Você vai ao médico e ele te prescreve um remédio. E então você volta e ele te dá o dobro: é óbvio que a sua saúde não está melhorando. No campo do agronegócio acontece o mesmo. Outro fator é que este modelo repele as pessoas. Em suma, tem consequências para a saúde, para os solos, plantas, animais e para a sociedade. A agroecologia é uma alternativa para evitar essas consequências.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A crescente ameaça das ervas daninhas ou a natureza vencendo o glifosato?

Muito interessante o artigo da revista Cientific American Brasil, junho 2011, ano 10 n0. 109, que mostra como os agricultores americanos, estão voltando a usar enxada no combate as ervas daninhas. Pois a resistencia das plantas ao glifosato é uma realidade.
alexandre panerai

O glifosato é um elemento muito importante do Roundup no controle de plantas daninhas, entre elas a Ambrosia trifida e a A. artemisiifolia, “ capazes de reduzir em 50% a produção de uma área de plantio, além de poderem desenvolver um caule tão grosso como um taco de beisebol, suficiente duro e rijo a ponto de travar e inutilizar uma colheitadeira”.

O glifosato inibe uma enzima chamada EPSPS (5-enolpiruvilshikimate-3-fosfato sintase) que fabrica três aminoácidos essenciais em plantas e bactérias, mas não em animais, o que é fundamental para sua utilização na lavoura. Ela ataca o broto de crescimento na ponta da planta. Ela para de crescer em 24 horas após a aplicação e seca em duas semanas.

Para um efetivo controle das pragas, ele deve ser borrifado diretamente nas folhas, o que limitou o seu uso por anos.

No anos 90, a Monsanto aperfeiçoou a tecnologia para cultivar plantas resistentes ao glifosato.

Oos pesquisadores procuraram um organismo resistente ao glifosato e descobriram uma bactéria mutante que produzia uma forma ligeiramente alterada da enzima EPSPS. Ela sintetizava os mesmo três aminoácidos, mas não era afetada pelo produto.

Os cientistas isolaram o gene codificador da enzima e outros genes de manutenção (para controle e inserção do gene da enzima) de três outros organismos e os implantaram com uma pistola de genes em células de soja.

Após muitos ensaios, obtiveram várias plantas resistentes ao glifosato e suas linhagens descendentes capazes de transmitir a característica as suas descendentes.

A Monsanto começou a vender as sementes de soja com o nome de Roundup Ready.

Sementes resistentes de algodão, canola e milho foram lançadas em seguida.

Os produtos tiveram sucesso comercial e estão sendo utilizadas até hoje no mundo, nos EUA, Brasil e Argentina

No ano passado, 93% da área plantada de soja e grande parte do milho e algodão foram plantadas com sementes Roundup Ready.

Tudo isso era bom demais para durar.

Pragas invasoras evoluíram e se adaptaram devido as pressões seletivas impostas.

Apareceram então novas espécies , uma por ano, resistente ao glifosato. E já são dez.

“A questão maior tem relação com o futuro da agricultura e saber como os fazendeiros alimentarão uma população mundial crescentemente abastada e urbana”.

Quem vai pegar na enxada para eliminar as ervas daninhas?

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Bibliografia:

Adler, J. 2011. A crescente ameaça da ervas daninhas. Revista Cientific American Brasil, junho 2011, ano 10 n0. 109


fonte: http://www.dinheirorural.com.br/secao/agrotecnologia/ameaca-das-ervas-daninhas

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Mortandade de abelhas preocupa apicultores do Rio Grande do Sul

Estado é o maior produtor de mel do país
Foto: Fernando Dias
Produtores pedem maior controle dos agrotóxicos utilizados no estado para evitar mortandade de abelhas
Produtores pedem maior controle dos agrotóxicos utilizados no estado para evitar mortandade de abelhas
Produtores e entidades ligados ao setor de apicultura e meliponicultura apresentaram reivindicações sobre a mortandade de abelhas no Rio Grande do Sul. Entre elas, garantir maior controle dos agrotóxicos utilizados no estado e capacitação aos técnicos das inspetorias da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi). O documento foi entregue ao secretário Ernani Polo, nesta sexta-feira, 9, durante reunião da Câmara Setorial da Apicultura e Meliponicultura (Casam).
Resultado de um estudo feito de agosto de 2015 a março deste ano, o documento destaca a importância das abelhas na produção de alimentos e manutenção de ecossistemas saudáveis através da polinização. Também ressalta que o estado é o maior produtor de mel do país. "Uma das causas da mortandade é a incompatibilidade da sua atividade com a presença de agrotóxicos", alerta o coordenador técnico da Casam, Nadilson Ferreira.
Os produtores pedem que o governo do Estado garanta o suporte necessário para que o Sistema Integrado de Gestão de Agrotóxicos seja posto em prática o mais rápido possível. "Assim, será possível ter um controle maior dos 10 agrotóxicos mais utilizados no estado e promover o uso adequado dos mesmos", explica Ferreira.
Em relação à capacitação de técnicos, a solicitação tem o objetivo de qualificar o atendimento local dos inspetores para evitar a mortandade.

Reforço à cadeia apícola

Ficou acertado na reunião que um convênio será assinado em 21 de junho entre Seapi, Sistema Sebrae/Senar/Farsul e Celulose Riograndense para fortalecer a cadeia apícola gaúcha. A parceria busca ampliar a produtividade e aumentar o número de apicultores e outros produtos da abelha, elevando a renda dos produtores.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Estudo da USP identifica agrotóxicos mais frequentes em alimentos consumidos no Brasil

Entre as substâncias autorizadas no País está o brometo de metila, utilizado como inseticida e para o controle de pragas

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Foto: Agência Brasil
De acordo com estimativas, o brometo de metila é o agrotóxico mais encontrado nos alimentos consumidos rotineiramente pela população brasileira – Foto: Agência Brasil
A dieta dos brasileiros é rica em agrotóxicos, inclusive os mais tóxicos. Ao cruzar os dados sobre o que come habitualmente a população brasileira com a lista de agrotóxicos autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a serem aplicados na cultura desses alimentos, pesquisa realizada na USP identificou 68 compostos que excediam o valor de ingestão diária aceitável de acordo com limites estabelecidos pela própria Anvisa.
Entre os 283 agrotóxicos verificados, o brometo de metila (BM) – pertencente à classe dos inseticidas, formicidas e fungicidas e listado como extremamente tóxico – foi a substância com maior estimativa de frequência nos alimentos. Os resultados fazem parte da dissertação de mestrado de Jacqueline Mary Gerage, defendida na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em 2016. A ideia foi avaliar o risco de exposição crônica de agrotóxicos na dieta da população, sabendo-se do uso regular dessas substâncias em cultivos como arroz, feijão, soja e frutas.
A mesma substância também foi identificada por meio de outra pesquisa da Esalq, cujo enfoque foi estimar a ingestão de agrotóxicos a partir da dieta dos alunos das escolas urbanas da rede municipal de ensino da cidade de Guariba, interior de São Paulo. Os dois trabalhos tiveram a orientação da professora Marina Vieira da Silva, do Departamento Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Esalq.
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Foto: Gilberto Marques/SEE-SP
Alimentos potencialmente contaminados por agrotóxicos autorizados também estão na dieta de alunos da rede pública de ensino – Foto: Gilberto Marques/SEE-SP
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O BM é um gás que age como inseticida para desinfestação de solo, controle de formigas e fumigação de produtos de origem vegetal. Mata insetos, fungos e bactérias, ervas daninhas ou qualquer outro ser vivo presente no solo. Embora tenha esta utilidade na agricultura, Jacqueline relata que o produto é altamente prejudicial à saúde humana e ao meio ambiente. “Seu uso está em descontinuação global por causar danos à camada de ozônio e provocar riscos à saúde de trabalhadores rurais e moradores de regiões próximas às áreas de produção agrícola.” Em 1990, na assinatura do Protocolo de Montreal, houve um comprometimento de 180 países para diminuir o uso de produtos semelhantes ao BM na agricultura. O Brasil aderiu ao tratado internacional com a promessa de diminuir gradualmente o manejo ao longo dos anos.

Passo a passo

Baseada em dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2008/2009 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Jacqueline obteve os alimentos que compunham a dieta habitual de 33.613 brasileiros, com idade superior a dez anos. Foram considerados 743 itens alimentares. Em seguida procurou saber da Anvisa, a quantidade de agrotóxicos que era autorizada para alimentos que compunham o banco de pesquisa, chegando a 283 compostos. Destes, Jacqueline verificou que 68 excediam o valor máximo permitido pela agência.

Protesto no Dia Internacional de Luta contra os Agrotóxicos (2014) - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Protesto no Dia Internacional de Luta contra os Agrotóxicos (2014) – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Para avaliar a exposição da população aos agrotóxicos, foi aplicado o cálculo de Ingestão Diária Máxima Teórica (IDMT), que relaciona o consumo médio dos alimentos e as concentrações médias de agrotóxicos. O resultado obtido do cálculo IDMT foi então comparado ao parâmetro de Ingestão Diária Aceitável (IDA), para caracterização do risco de exposição. Apresentando valores acima do Limite Máximo de Resíduos (LMR), os índices eram considerados preocupantes. Periodicamente, a Anvisa publica informações técnicas sobre os agrotóxicos autorizados para uso no Brasil.
Apesar de este tipo de exposição não ter sido avaliado por meio da pesquisa, a especialista ressalta que na área rural há também os riscos de intoxicação aguda envolvidos com a aplicação destes produtos, ao inalar ou manipulá-los diretamente.
Já a pesquisa Ingestão de resíduos de agrotóxicos potencialmente contidos na dieta habitual de escolares foi conduzida pela nutricionista Ana Paula Gasques Meira, aluna da Pós-Graduação da Esalq, com base em informações disponíveis e na análise de dados locais que levantou. Os resultados obtidos em Guariba, cidade do interior de São Paulo, seguiram a tendência das informações observadas nacionalmente: o brometo de metila se confirmou como uma das maiores médias de ingestão. Nesta pesquisa, participaram 341 crianças e adolescentes, com idade entre 7 e 16 anos.
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Dos 9 agrotóxicos cujo consumo se estima superar os limites da Anvisa…
5
2
IIIIII
pertencem à classe toxicológica I 
(extremamente tóxico)
pertencem à classe toxicológica II 
(muito tóxico) 
pertencem à classe toxicológica III 
(medianamente tóxico)
brometo de metila 
está nesta categoria
 .
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.Mais informações com Ana Paula Gasques Meira – e-mail anapuava@gmail.com; e Marina Vieira da Silva – e-mail marinavieiradasilva@usp.br
Com colaboração de Caio Albuquerque/ Divisão de Comunicação da Esalq

terça-feira, 23 de agosto de 2016

O noroeste gaúcho é campeão nacional no uso de agrotóxicos

Extraído do site:http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude

Alto índice de agricultores gaúchos com câncer 

põe agrotóxicos em xeque

BBC Brasil
Falta da proteção necessária é um dos principais problemas
Falta da proteção necessária é um dos principais problemas
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O agricultor Atílio Marques da Rosa, 76, andava de moto quando sentiu uma forte tontura e caiu na frente de casa em Braga, uma cidadezinha de menos de 4.000 habitantes no interior do Rio Grande do Sul. "A tontura reapareceu depois, e os exames mostraram o câncer", conta o filho Osmar Marques da Rosa, 55, que também é agricultor.
Seu Atílio foi diagnosticado há um ano com um tumor na cabeça, localizado entre o cérebro e os olhos. Por causa da doença, já não trabalha em sua pequena propriedade, na qual produzia milho e mandioca. Para ele, o câncer tem origem: o contato com agrotóxicos, produtos químicos usados para matar insetos ou plantas dos quais o Brasil é líder mundial em consumo desde 2009.
"Meu pai acusa muito esse negócio de veneno. Ele nunca usou, mas as fazendas vizinhas sempre pulverizavam a soja com avião e tudo", diz Osmar.
O noroeste gaúcho, onde seu Atílio mora, é campeão nacional no uso de agrotóxicos, segundo um mapa do Laboratório de Geografia Agrária da USP, elaborado a partir de dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Para especialistas que lidam com o problema localmente, não há dúvidas sobre a relação entre o veneno e a doença. "Diversos estudos apontam a relação do uso de agrotóxicos com o câncer", diz o oncologista Fábio Franke, coordenador do Centro de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) do Hospital de Caridade de Ijuí, que atende 120 municípios da região.
BBC Brasil
Oncologista Fábio Franke vê relação direta entre agrotóxicos e câncer
Oncologista Fábio Franke vê relação direta entre agrotóxicos e câncer
Um dos principais problemas é que boa parte dos trabalhadores não segue as instruções técnicas para o manejo das substâncias.
"Nós sempre perguntamos se usam proteção, se usam equipamento. Mas atendemos principalmente pessoas carentes. Da renda deles não sobra para comprar máscaras, luvas, óculos. Eles ficam expostos", diz Emília Barcelos Nascimento, voluntária da Liga Feminina de Combate ao Câncer de Ijuí.
Anderson Scheifler, assistente social da Associação de Apoio a Pessoas com Câncer da cidade (Aapecan), corrobora: "Temos como relato de vida dessas pessoas um histórico de utilização excessiva de defensivos agrícolas e, na maioria das vezes, sem uso de proteção".
'ALARMANTE EPIDEMIA'
Um estudo realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) comparou o número de mortes por câncer da microrregião de Ijuí com as registradas no Estado e no país entre 1979 e 2003 e constatou que a taxa de mortalidade local supera tanto a gaúcha, que já é alta, como a nacional.
De acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer), o Rio Grande do Sul é o Estado com a maior taxa de mortalidade pela doença. Em 2013, foram 186,11 homens e 140,54 mulheres mortos para cada grupo de 100 mil habitantes de cada sexo.
O índice é bem superior ao registrado pelos segundos colocados, Paraná (137,60 homens) e Rio de Janeiro (118,89 mulheres). O Estado também é líder na estimativa de novos casos de câncer neste ano, também elaborada pelo Inca –588,45 homens e 451,89 mulheres para cada 100 mil pessoas de cada sexo. Em 2014, 17,5 mil pessoas morreram de câncer em terras gaúchas –no país todo, foram 195 mil óbitos.
BBC Brasil
Especialistas ligam uso de agrotóxicos à alta incidência de câncer no RS
Especialistas ligam uso de agrotóxicos à alta incidência de câncer no RS
Anualmente, cerca de 3.600 novos pacientes são atendidos na unidade coordenada por Franke. Se incluídos os antigos, são 23 mil atendimentos. Destes, 22 mil são bancados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) –os cofres públicos desembolsam cerca de R$ 12 milhões por ano para os tratamentos.
Segundo o oncologista, a maioria dos doentes vem da área rural –mas o problema pode ser ainda maior, já que os malefícios dos agrotóxicos não ocorrem apenas por exposição direta pelo trabalho no campo, mas também via alimentação, contaminação da água e ar.
"Se esses números fossem de pacientes de dengue ou mesmo uma simples gripe, não tenho dúvida de que a situação seria tratada como a mais alarmante epidemia, com decreto de calamidade pública e tudo. Mas é câncer. Há um silêncio estranho em torno dessa realidade", afirma o promotor Nilton Kasctin do Santos, do Ministério Público da cidade de Catuípe.
"Milhares de pessoas estão morrendo de câncer por causa dos agrotóxicos", acrescenta ele, que atua no combate aos produtos.
Procurado pela BBC Brasil, o Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal), que representa os fabricantes de agrotóxicos, encaminhou o questionamento para a Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal), que responde basicamente pelas mesmas empresas.
Em nota, a Andef afirma que "toda substância química, sintetizada em laboratório ou mesmo aquelas encontradas na natureza, pode ser considerada um agente tóxico" e que os riscos à saúde dependem "das condições de exposição, que incluem: a dose (quantidade de ingestão ou contato), o tempo, a frequência etc.". O texto afirma ainda que "o setor de defensivos agrícolas apresenta o grau de regulamentação mais rígido do mundo".
SALTO NO CONSUMO
A comercialização de agrotóxicos aumentou 155% em dez anos no Brasil, apontam os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS), estudo elaborado pelo IBGE no ano passado –entre 2002 e 2012, o uso saltou de 2,7 quilos por hectare para 6,9 quilos por hectare.
O número é preocupante, especialmente porque 64,1% dos venenos aplicados em 2012 foram considerados como perigosos e 27,7% muito perigosos, aponta o IBGE. O Inca é um dos órgãos que se posicionam oficialmente "contra as atuais práticas de uso de agrotóxicos no Brasil" e "ressalta seus riscos à saúde, em especial nas causas do câncer".
BBC Brasil
Mais de 1.100 pessoas morreram por intoxicação com agrotóxico no país em 8 anos
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Como solução, recomenda o fim da pulverização aérea dos venenos, o fim da isenção fiscal para a comercialização dos produtos e o incentivo à agricultura orgânica, que não usa agrotóxico para o cultivo de alimentos.
Márcia Sarpa Campos Mello, pesquisadora do instituto e uma das autoras do "Dossiê Abrasco - Os impactos dos Agrotóxicos na Saúde", ressalta que o agrotóxico mais usado no Brasil, o glifosato –vendido com o nome de Roundup e fabricado pela Monsanto - é proibido em toda a Europa. Segundo ela, o glifosato está relacionado aos cânceres de mama e próstata, além de linfoma e outras mutações genéticas.
"A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que 80% dos casos de câncer são atribuídos à exposição de agentes químicos. Se os agrotóxicos também são esses agentes, o que já está comprovado, temos que diminuir ou banir completamente esses produtos", defende.
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Fabricante afirma que glifosato é seguro para a saúde
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Procurada, a Monsanto afirma que "todos os usos de produtos registrados à base de glifosato são seguros para a saúde e o meio ambiente, o que é comprovado por um dos maiores bancos de dados científicos já compilados sobre um produto agrícola".
A empresa diz ainda tratar-se de "um dos herbicidas mais usados no mundo, por mais de 40 anos e em mais de 160 países", e que "nenhuma associação do glifosato com essas doenças é apoiada por testes de toxicologia, experimentação ou observações".
TRÊS VEZES MAIS
Segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o brasileiro consome até 12 litros de agrotóxico por ano. A bióloga Francesca Werner Ferreira, da Aipan (Associação Ijuiense de Proteção ao Ambiente Natural) e professora da Unijuí (Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul), alerta que a situação é ainda pior no noroeste gaúcho, onde o volume consumido pode ser três vezes maior.
Ela conta que produtores da região têm abusado das substâncias para secar culturas fora de época da colheita e, assim, aumentar a produção. É o caso do trigo, que recebe doses extras de glifosato, 2,4-D, um dos componentes do "agente laranja", usado como arma química durante a Guerra do Vietnã, e paraquat.
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A agricultura é uma das atividades mais importantes para a economia do noroeste gaúcho
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Segundo o promotor Nilton Kasctin do Santos, este último causa necrose nos rins e morte das células do pulmão, que terminam em asfixia sem que haja a possibilidade de aplicação de oxigênio, pois isso potencializaria os efeitos da substância.
"Nada disso é invenção de palpiteiro, de ambientalista de esquerda ou de algum cientista maluco que nunca tomou sol. Também não é invenção de algum inimigo do agronegócio. Sabe quem diz tudo isso sobre o paraquat? O próprio fabricante. Está na bula, no rótulo", alerta o promotor.
No último ano, 52 pessoas morreram por intoxicação por paraquat em terras gaúchas, segundo o Centro de Informação Toxicológica do Estado. No Brasil, 1.186 mortes foram causadas por intoxicação por agrotóxico de 2007 a 2014, segundo a coordenadora do Laboratório de Geografia Agrária da USP, Larissa Bombardi.
A estimativa é que para cada registro de intoxicação existam outros 50 casos não notificados, afirma ela. A pesquisa da professora aponta ainda que 300 bebês de zero a um ano de idade sofreram intoxicação no mesmo período. A Syngenta, fabricante do paraquat, não se manifestou sobre os casos de intoxicação e afirmou endossar o posicionamento da Andef