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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Mortandade de abelhas preocupa apicultores do Rio Grande do Sul

Estado é o maior produtor de mel do país
Foto: Fernando Dias
Produtores pedem maior controle dos agrotóxicos utilizados no estado para evitar mortandade de abelhas
Produtores pedem maior controle dos agrotóxicos utilizados no estado para evitar mortandade de abelhas
Produtores e entidades ligados ao setor de apicultura e meliponicultura apresentaram reivindicações sobre a mortandade de abelhas no Rio Grande do Sul. Entre elas, garantir maior controle dos agrotóxicos utilizados no estado e capacitação aos técnicos das inspetorias da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi). O documento foi entregue ao secretário Ernani Polo, nesta sexta-feira, 9, durante reunião da Câmara Setorial da Apicultura e Meliponicultura (Casam).
Resultado de um estudo feito de agosto de 2015 a março deste ano, o documento destaca a importância das abelhas na produção de alimentos e manutenção de ecossistemas saudáveis através da polinização. Também ressalta que o estado é o maior produtor de mel do país. "Uma das causas da mortandade é a incompatibilidade da sua atividade com a presença de agrotóxicos", alerta o coordenador técnico da Casam, Nadilson Ferreira.
Os produtores pedem que o governo do Estado garanta o suporte necessário para que o Sistema Integrado de Gestão de Agrotóxicos seja posto em prática o mais rápido possível. "Assim, será possível ter um controle maior dos 10 agrotóxicos mais utilizados no estado e promover o uso adequado dos mesmos", explica Ferreira.
Em relação à capacitação de técnicos, a solicitação tem o objetivo de qualificar o atendimento local dos inspetores para evitar a mortandade.

Reforço à cadeia apícola

Ficou acertado na reunião que um convênio será assinado em 21 de junho entre Seapi, Sistema Sebrae/Senar/Farsul e Celulose Riograndense para fortalecer a cadeia apícola gaúcha. A parceria busca ampliar a produtividade e aumentar o número de apicultores e outros produtos da abelha, elevando a renda dos produtores.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Estudo da USP identifica agrotóxicos mais frequentes em alimentos consumidos no Brasil

Entre as substâncias autorizadas no País está o brometo de metila, utilizado como inseticida e para o controle de pragas

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Foto: Agência Brasil
De acordo com estimativas, o brometo de metila é o agrotóxico mais encontrado nos alimentos consumidos rotineiramente pela população brasileira – Foto: Agência Brasil
A dieta dos brasileiros é rica em agrotóxicos, inclusive os mais tóxicos. Ao cruzar os dados sobre o que come habitualmente a população brasileira com a lista de agrotóxicos autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a serem aplicados na cultura desses alimentos, pesquisa realizada na USP identificou 68 compostos que excediam o valor de ingestão diária aceitável de acordo com limites estabelecidos pela própria Anvisa.
Entre os 283 agrotóxicos verificados, o brometo de metila (BM) – pertencente à classe dos inseticidas, formicidas e fungicidas e listado como extremamente tóxico – foi a substância com maior estimativa de frequência nos alimentos. Os resultados fazem parte da dissertação de mestrado de Jacqueline Mary Gerage, defendida na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em 2016. A ideia foi avaliar o risco de exposição crônica de agrotóxicos na dieta da população, sabendo-se do uso regular dessas substâncias em cultivos como arroz, feijão, soja e frutas.
A mesma substância também foi identificada por meio de outra pesquisa da Esalq, cujo enfoque foi estimar a ingestão de agrotóxicos a partir da dieta dos alunos das escolas urbanas da rede municipal de ensino da cidade de Guariba, interior de São Paulo. Os dois trabalhos tiveram a orientação da professora Marina Vieira da Silva, do Departamento Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Esalq.
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Foto: Gilberto Marques/SEE-SP
Alimentos potencialmente contaminados por agrotóxicos autorizados também estão na dieta de alunos da rede pública de ensino – Foto: Gilberto Marques/SEE-SP
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O BM é um gás que age como inseticida para desinfestação de solo, controle de formigas e fumigação de produtos de origem vegetal. Mata insetos, fungos e bactérias, ervas daninhas ou qualquer outro ser vivo presente no solo. Embora tenha esta utilidade na agricultura, Jacqueline relata que o produto é altamente prejudicial à saúde humana e ao meio ambiente. “Seu uso está em descontinuação global por causar danos à camada de ozônio e provocar riscos à saúde de trabalhadores rurais e moradores de regiões próximas às áreas de produção agrícola.” Em 1990, na assinatura do Protocolo de Montreal, houve um comprometimento de 180 países para diminuir o uso de produtos semelhantes ao BM na agricultura. O Brasil aderiu ao tratado internacional com a promessa de diminuir gradualmente o manejo ao longo dos anos.

Passo a passo

Baseada em dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2008/2009 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Jacqueline obteve os alimentos que compunham a dieta habitual de 33.613 brasileiros, com idade superior a dez anos. Foram considerados 743 itens alimentares. Em seguida procurou saber da Anvisa, a quantidade de agrotóxicos que era autorizada para alimentos que compunham o banco de pesquisa, chegando a 283 compostos. Destes, Jacqueline verificou que 68 excediam o valor máximo permitido pela agência.

Protesto no Dia Internacional de Luta contra os Agrotóxicos (2014) - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Protesto no Dia Internacional de Luta contra os Agrotóxicos (2014) – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Para avaliar a exposição da população aos agrotóxicos, foi aplicado o cálculo de Ingestão Diária Máxima Teórica (IDMT), que relaciona o consumo médio dos alimentos e as concentrações médias de agrotóxicos. O resultado obtido do cálculo IDMT foi então comparado ao parâmetro de Ingestão Diária Aceitável (IDA), para caracterização do risco de exposição. Apresentando valores acima do Limite Máximo de Resíduos (LMR), os índices eram considerados preocupantes. Periodicamente, a Anvisa publica informações técnicas sobre os agrotóxicos autorizados para uso no Brasil.
Apesar de este tipo de exposição não ter sido avaliado por meio da pesquisa, a especialista ressalta que na área rural há também os riscos de intoxicação aguda envolvidos com a aplicação destes produtos, ao inalar ou manipulá-los diretamente.
Já a pesquisa Ingestão de resíduos de agrotóxicos potencialmente contidos na dieta habitual de escolares foi conduzida pela nutricionista Ana Paula Gasques Meira, aluna da Pós-Graduação da Esalq, com base em informações disponíveis e na análise de dados locais que levantou. Os resultados obtidos em Guariba, cidade do interior de São Paulo, seguiram a tendência das informações observadas nacionalmente: o brometo de metila se confirmou como uma das maiores médias de ingestão. Nesta pesquisa, participaram 341 crianças e adolescentes, com idade entre 7 e 16 anos.
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Dos 9 agrotóxicos cujo consumo se estima superar os limites da Anvisa…
5
2
IIIIII
pertencem à classe toxicológica I 
(extremamente tóxico)
pertencem à classe toxicológica II 
(muito tóxico) 
pertencem à classe toxicológica III 
(medianamente tóxico)
brometo de metila 
está nesta categoria
 .
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.Mais informações com Ana Paula Gasques Meira – e-mail anapuava@gmail.com; e Marina Vieira da Silva – e-mail marinavieiradasilva@usp.br
Com colaboração de Caio Albuquerque/ Divisão de Comunicação da Esalq

terça-feira, 23 de agosto de 2016

O noroeste gaúcho é campeão nacional no uso de agrotóxicos

Extraído do site:http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude

Alto índice de agricultores gaúchos com câncer 

põe agrotóxicos em xeque

BBC Brasil
Falta da proteção necessária é um dos principais problemas
Falta da proteção necessária é um dos principais problemas
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O agricultor Atílio Marques da Rosa, 76, andava de moto quando sentiu uma forte tontura e caiu na frente de casa em Braga, uma cidadezinha de menos de 4.000 habitantes no interior do Rio Grande do Sul. "A tontura reapareceu depois, e os exames mostraram o câncer", conta o filho Osmar Marques da Rosa, 55, que também é agricultor.
Seu Atílio foi diagnosticado há um ano com um tumor na cabeça, localizado entre o cérebro e os olhos. Por causa da doença, já não trabalha em sua pequena propriedade, na qual produzia milho e mandioca. Para ele, o câncer tem origem: o contato com agrotóxicos, produtos químicos usados para matar insetos ou plantas dos quais o Brasil é líder mundial em consumo desde 2009.
"Meu pai acusa muito esse negócio de veneno. Ele nunca usou, mas as fazendas vizinhas sempre pulverizavam a soja com avião e tudo", diz Osmar.
O noroeste gaúcho, onde seu Atílio mora, é campeão nacional no uso de agrotóxicos, segundo um mapa do Laboratório de Geografia Agrária da USP, elaborado a partir de dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Para especialistas que lidam com o problema localmente, não há dúvidas sobre a relação entre o veneno e a doença. "Diversos estudos apontam a relação do uso de agrotóxicos com o câncer", diz o oncologista Fábio Franke, coordenador do Centro de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) do Hospital de Caridade de Ijuí, que atende 120 municípios da região.
BBC Brasil
Oncologista Fábio Franke vê relação direta entre agrotóxicos e câncer
Oncologista Fábio Franke vê relação direta entre agrotóxicos e câncer
Um dos principais problemas é que boa parte dos trabalhadores não segue as instruções técnicas para o manejo das substâncias.
"Nós sempre perguntamos se usam proteção, se usam equipamento. Mas atendemos principalmente pessoas carentes. Da renda deles não sobra para comprar máscaras, luvas, óculos. Eles ficam expostos", diz Emília Barcelos Nascimento, voluntária da Liga Feminina de Combate ao Câncer de Ijuí.
Anderson Scheifler, assistente social da Associação de Apoio a Pessoas com Câncer da cidade (Aapecan), corrobora: "Temos como relato de vida dessas pessoas um histórico de utilização excessiva de defensivos agrícolas e, na maioria das vezes, sem uso de proteção".
'ALARMANTE EPIDEMIA'
Um estudo realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) comparou o número de mortes por câncer da microrregião de Ijuí com as registradas no Estado e no país entre 1979 e 2003 e constatou que a taxa de mortalidade local supera tanto a gaúcha, que já é alta, como a nacional.
De acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer), o Rio Grande do Sul é o Estado com a maior taxa de mortalidade pela doença. Em 2013, foram 186,11 homens e 140,54 mulheres mortos para cada grupo de 100 mil habitantes de cada sexo.
O índice é bem superior ao registrado pelos segundos colocados, Paraná (137,60 homens) e Rio de Janeiro (118,89 mulheres). O Estado também é líder na estimativa de novos casos de câncer neste ano, também elaborada pelo Inca –588,45 homens e 451,89 mulheres para cada 100 mil pessoas de cada sexo. Em 2014, 17,5 mil pessoas morreram de câncer em terras gaúchas –no país todo, foram 195 mil óbitos.
BBC Brasil
Especialistas ligam uso de agrotóxicos à alta incidência de câncer no RS
Especialistas ligam uso de agrotóxicos à alta incidência de câncer no RS
Anualmente, cerca de 3.600 novos pacientes são atendidos na unidade coordenada por Franke. Se incluídos os antigos, são 23 mil atendimentos. Destes, 22 mil são bancados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) –os cofres públicos desembolsam cerca de R$ 12 milhões por ano para os tratamentos.
Segundo o oncologista, a maioria dos doentes vem da área rural –mas o problema pode ser ainda maior, já que os malefícios dos agrotóxicos não ocorrem apenas por exposição direta pelo trabalho no campo, mas também via alimentação, contaminação da água e ar.
"Se esses números fossem de pacientes de dengue ou mesmo uma simples gripe, não tenho dúvida de que a situação seria tratada como a mais alarmante epidemia, com decreto de calamidade pública e tudo. Mas é câncer. Há um silêncio estranho em torno dessa realidade", afirma o promotor Nilton Kasctin do Santos, do Ministério Público da cidade de Catuípe.
"Milhares de pessoas estão morrendo de câncer por causa dos agrotóxicos", acrescenta ele, que atua no combate aos produtos.
Procurado pela BBC Brasil, o Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal), que representa os fabricantes de agrotóxicos, encaminhou o questionamento para a Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal), que responde basicamente pelas mesmas empresas.
Em nota, a Andef afirma que "toda substância química, sintetizada em laboratório ou mesmo aquelas encontradas na natureza, pode ser considerada um agente tóxico" e que os riscos à saúde dependem "das condições de exposição, que incluem: a dose (quantidade de ingestão ou contato), o tempo, a frequência etc.". O texto afirma ainda que "o setor de defensivos agrícolas apresenta o grau de regulamentação mais rígido do mundo".
SALTO NO CONSUMO
A comercialização de agrotóxicos aumentou 155% em dez anos no Brasil, apontam os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS), estudo elaborado pelo IBGE no ano passado –entre 2002 e 2012, o uso saltou de 2,7 quilos por hectare para 6,9 quilos por hectare.
O número é preocupante, especialmente porque 64,1% dos venenos aplicados em 2012 foram considerados como perigosos e 27,7% muito perigosos, aponta o IBGE. O Inca é um dos órgãos que se posicionam oficialmente "contra as atuais práticas de uso de agrotóxicos no Brasil" e "ressalta seus riscos à saúde, em especial nas causas do câncer".
BBC Brasil
Mais de 1.100 pessoas morreram por intoxicação com agrotóxico no país em 8 anos
Mais de 1.100 pessoas morreram por intoxicação com agrotóxico no país em 8 anos
Como solução, recomenda o fim da pulverização aérea dos venenos, o fim da isenção fiscal para a comercialização dos produtos e o incentivo à agricultura orgânica, que não usa agrotóxico para o cultivo de alimentos.
Márcia Sarpa Campos Mello, pesquisadora do instituto e uma das autoras do "Dossiê Abrasco - Os impactos dos Agrotóxicos na Saúde", ressalta que o agrotóxico mais usado no Brasil, o glifosato –vendido com o nome de Roundup e fabricado pela Monsanto - é proibido em toda a Europa. Segundo ela, o glifosato está relacionado aos cânceres de mama e próstata, além de linfoma e outras mutações genéticas.
"A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que 80% dos casos de câncer são atribuídos à exposição de agentes químicos. Se os agrotóxicos também são esses agentes, o que já está comprovado, temos que diminuir ou banir completamente esses produtos", defende.
BBC Brasil
Fabricante afirma que glifosato é seguro para a saúde
Fabricante afirma que glifosato é seguro para a saúde
Procurada, a Monsanto afirma que "todos os usos de produtos registrados à base de glifosato são seguros para a saúde e o meio ambiente, o que é comprovado por um dos maiores bancos de dados científicos já compilados sobre um produto agrícola".
A empresa diz ainda tratar-se de "um dos herbicidas mais usados no mundo, por mais de 40 anos e em mais de 160 países", e que "nenhuma associação do glifosato com essas doenças é apoiada por testes de toxicologia, experimentação ou observações".
TRÊS VEZES MAIS
Segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o brasileiro consome até 12 litros de agrotóxico por ano. A bióloga Francesca Werner Ferreira, da Aipan (Associação Ijuiense de Proteção ao Ambiente Natural) e professora da Unijuí (Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul), alerta que a situação é ainda pior no noroeste gaúcho, onde o volume consumido pode ser três vezes maior.
Ela conta que produtores da região têm abusado das substâncias para secar culturas fora de época da colheita e, assim, aumentar a produção. É o caso do trigo, que recebe doses extras de glifosato, 2,4-D, um dos componentes do "agente laranja", usado como arma química durante a Guerra do Vietnã, e paraquat.
BBC Brasil
A agricultura é uma das atividades mais importantes para a economia do noroeste gaúcho
A agricultura é uma das atividades mais importantes para a economia do noroeste gaúcho
Segundo o promotor Nilton Kasctin do Santos, este último causa necrose nos rins e morte das células do pulmão, que terminam em asfixia sem que haja a possibilidade de aplicação de oxigênio, pois isso potencializaria os efeitos da substância.
"Nada disso é invenção de palpiteiro, de ambientalista de esquerda ou de algum cientista maluco que nunca tomou sol. Também não é invenção de algum inimigo do agronegócio. Sabe quem diz tudo isso sobre o paraquat? O próprio fabricante. Está na bula, no rótulo", alerta o promotor.
No último ano, 52 pessoas morreram por intoxicação por paraquat em terras gaúchas, segundo o Centro de Informação Toxicológica do Estado. No Brasil, 1.186 mortes foram causadas por intoxicação por agrotóxico de 2007 a 2014, segundo a coordenadora do Laboratório de Geografia Agrária da USP, Larissa Bombardi.
A estimativa é que para cada registro de intoxicação existam outros 50 casos não notificados, afirma ela. A pesquisa da professora aponta ainda que 300 bebês de zero a um ano de idade sofreram intoxicação no mesmo período. A Syngenta, fabricante do paraquat, não se manifestou sobre os casos de intoxicação e afirmou endossar o posicionamento da Andef

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Brócolis podem combater a causa do câncer



   

  em 10.05.2010 as 21:2
Uma pesquisa da Universidade de Michigan, publicada dia 1º de maio, pode estar dando um passo para combater a origem do câncer. Hoje em dia há mais de um tratamento possível para a doença, e existe uma série de hábitos de vida que podem ajudar (embora não haja garantia) a evitá-lo. Mas essas medidas combatem o câncer em si, e não a sua causa primária: as células tronco.

A descoberta está em um composto químico existente nos brócolis, chamado de Sulforafano. A partir de experiências com células-tronco em laboratório, os cientistas descobriram que o composto mata células cancerosas e inibe imediatamente o crescimento de um tumor.

Pesquisas sobre o papel do extrato dos brócolis no combate ao câncer de mama já existem há oito anos, mas se conhecia apenas a ação direta sobre a doença. Estes novos estudos sugerem que o sulforafano seria vital na prevenção do câncer, pois pode agir diretamente sobre as células-tronco. São elas, segundo os cientistas, a raiz do problema, e as quimioterapias atuais não as combatem. Daí a demora e dificuldade desse tratamento.

A pesquisa foi conduzida em ratos com câncer de mama. O sulforafano injetado teve o efeito que esperavam: houve diminuição na população de células-tronco cancerosas, e as que restaram não foram capazes de gerar novos tumores.

Para que os resultados da pesquisa não ficassem restritos aos ratos, o estudo também avaliou células humanas com câncer de mama, cultivadas em laboratório, e os resultados foram semelhantes.
O método de aplicação de Sulforafano, apesar disso, ainda não foi testado em nenhum paciente. E comer brócolis, simplesmente, não supre o corpo com quantidade suficiente do composto para prevenir células cancerosas, seria preciso tomar um extrato. De qualquer modo, é um avanço para que a medicina possa conter o câncer, que ainda é responsável por 13% das mortes no mundo. [Science Daily]

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Agrotóxicos: ANVISA divulga lista dos alimentos com maior nível de contaminação


Se você acha que frutas e legumes eram saudáveis, é melhor rever seus conceitos. Ao invés de nutrientes, você pode estar ingerindo produtos tóxicos que fazem muito mal para sua saúde
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou uma lista com alimentos considerados saudáveis por todos, mas que em testes exibiram alto nível de contaminação por agrotóxicos. Para fazer o levantamento, a Anvisa levou em consideração dois pontos fundamentais:
1) Teores de resíduos de agrotóxicos acima do permitido;
2) Presença de agrotóxicos não autorizados para o tipo de alimento.
O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos analisou quase 2.500 amostras de 18 tipos de alimentos nos estados brasileiros. O resultado das análises é preocupante: cerca de 1/3 dos vegetais que o brasileiro mais consome apresentaram resíduos de agrotóxicos acima dos níveis aceitáveis.
Se você acha que frutas e legumes eram saudáveis, é melhor rever seus conceitos. Ao invés de nutrientes, você pode estar ingerindo produtos tóxicos que fazem muito mal para sua saúde. Os agrotóxicos são amplamente utilizados no campo para proteger as plantações de pragas. Um levantamento de 2010 indica que só naquele ano foram usadas 1 milhão de toneladas de agrotóxicos em plantações no país. Isso dá cerca de 5 kg para cada brasileiro. Na lista, quase todas as amostras coletadas de pimentão apresentavam contaminação acima do aceitável. Só a batata se salvou, não apresentando nenhum lote contaminado.
Consumo de alimentos contaminados pode causar câncer
A Anvisa alerta os consumidores para os riscos de se ingerir agrotóxicos. Segundo o órgão, o consumo prolongado e em quantidades acima dos limites aceitáveis pode acarretar vários problemas de saúde. Uma menor exposição pode causar dores de cabeça, alergias e coceiras, enquanto uma exposição maior pode causar distúrbios do sistema nervoso central, mal formação fetal e câncer.
A Academia Americana de Pediatria conduziu um estudo com mais de mil crianças, onde 119 apresentaram transtorno de déficit de atenção. Essas 119 crianças passaram por exames mais detalhados e constatou-se que seus organismos tinham organofosforado (molécula usada em agrotóxicos) acima da média.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Produzidos sem agrotóxicos, alimentos orgânicos buscam mais espaço na mesa do consumidor

Assistência técnica escassa e preço maior na hora da venda são os principais desafios do setor

Por: Joana Colussi
02/06/2015 - 05h03min
Produzidos sem agrotóxicos, alimentos orgânicos buscam mais espaço na mesa do consumidor Lauro Alves/Agencia RBS
Foto: Lauro Alves / Agencia RBS
Com compromisso diário de observar a lavoura e formular receitas para conter pragas, produtores ecológicos mantém viva uma agricultura onde os químicos ainda passam longe dos alimentos. Nas lavouras gaúchas — a maioria nas regiões Metropolitana, Sul e Litoral —, hortaliças, frutas e grãos são cultivados sem nenhum agrotóxico, fertilizante sintético ou variedade transgênica.
Embora ainda tímido, ocupando 1 milhão de hectares no país (0,3% da área agrícola), o cultivo de orgânicos atende um mercado cativo e fiel: classe média-alta e compradores que ditam o consumo como forma de inspirar uma transformação nos hábitos 
alimentares da sociedade.
No Estado, são quase mil agricultores ecológicos que priorizam técnicas naturais ao produzir alimentos. Sem tecnologia química ou transgênica para conter o ataque de doenças e potencializar o desenvolvimento das plantas, enfrentam risco maior, têm menor escala e gastam mais com mão de obra.
O custo mais alto explica o preço em média 40% superior dos alimentos orgânicos nas prateleiras, de acordo com dados da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas). Alguns produtos, como o tomate, custam até o dobro do preço.
— Não conseguimos produzir grandes quantidades. Por isso, precisamos compensar com um valor maior na hora da venda. Somos um grupo pequeno, mas consciente do que produzimos. O dia que tivermos quantidade, o consumidor terá um preço menor — explica Janir Vigolo, presidente da Cooperativa de Agricultores Ecologistas de Antônio Prado e Ipê, uma das pioneiras no Estado a produzir orgânicos.
Saiba como identificar um produto orgânico no supermercado
Criado em 1988, o grupo de produtores era chamado de “morcegos” na época.
— Diziam que a gente aplicava agrotóxicos à noite. Não acreditavam que era possível produzir sem usar nenhum químico — lembra Vigolo, que fundou a cooperativa com as famílias Zampieri, Forlin e Bellé.
Da desconfiança à consolidação
Proprietária de agroindústria na Serra, Jocilei integrou o grupo de jovens que enfrentou a resistência à produção de orgânicos no final da década de 1980 (Foto: Jonas Ramos, Agência RBS)
Hoje com 23 associados, a cooperativa tem quatro agroindústrias de sucos e molhos de tomates e 19 produtores de hortaliças e frutas voltados à venda direta em feiras e atacado. A persistência na produção ecológica, mesmo com um mercado menor e custos mais altos de produção, não é uma mera opção, mas uma convicção.
— Sempre tivemos a certeza que esse era o caminho — diz Jocilei Pontel Forlin, 41 anos, dona da Pérola da Terra, agroindústria de sucos, molho de tomate e geleias localizada no interior de Antônio Prado, na Serra.
Ainda aos 15 anos, a filha de pequenos produtores integrou o grupo de jovens que enfrentou a resistência à produção de orgânicos no final da década de 1980. Um dos poucos apoios vieram do padre João Bosco Schio, que emprestou a garagem da paróquia para os jovens se reunirem, e da agrônoma Maria José Guazzelli, fundadora do Centro Ecológico de Ipê e atuante na elaboração da Lei dos Agrotóxicos no Estado, na década de 1980.

Jocilei conta com a ajuda do filho Mateus para produção de orgânicos (Foto: Jonas Ramos, Agência RBS)
Na época, sem conseguir vender frutas orgânicas na Serra, uniram-se a outros produtores e passaram a oferecer produtos no Brique da Redenção, em Porto Alegre. Desse movimento, nasceu a feira de orgânicos que funciona até hoje, ainda no mesmo lugar.
— Encontramos espaço nos grandes centros urbanos. Aqui (Antônio Prado), cultivar orgânicos era considerado coisa de louco — lembra a produtora.
Ao lado do marido Volmir Forlin, Jocilei produz hoje 150 mil litros anuais de sucos integrais e prontos para beber, molhos de tomate e geleias. A produção de uva, tomate e pêssego da propriedade é certificada como orgânica e vendida para todo o sul do país, além de São Paulo. Neste ano, a Pérola da Terra passou a receber visitas técnicas de agricultores, estudantes e consumidores.
Conhecimento técnico gerado por experiência
Foto Jonas Ramos, Agência RBS
Diferentemente da agricultura convencional, com pacote tecnológico e assistência do plantio à colheita, a produção de orgânicos é dificultada devido à escassez de formação técnica no país. Com a maioria das pesquisas voltadas ao modelo disseminado pelo agronegócio, os agricultores ecológicos são levados a produzir conhecimento por conta própria.
— O produtor orgânico é também um pesquisador, pois muitos testes são feitos na lavoura para suprir a deficiência de assistência técnica. Boa parte da formação técnica é voltada à agricultura convencional. É preciso mudar essa lógica para estimular o crescimento da produção orgânica — diz Glauco Schultz, professor dos programas de pós-graduação de Desenvolvimento Rural e de Agronegócio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Com avanços significativos na produção orgânica de arroz, café, cana-de-açúcar, frutas e hortaliças no país, e a tendência de aumento no consumo pela população de maior renda, ações de incentivo prometem avançar com mais força. 

Em 2013, o governo federal criou o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo). São medidas articuladas em 10 ministérios, formando 125 iniciativas nas áreas de produção, uso e conservação de recursos naturais, conhecimento, venda e consumo.
— A produção orgânica é estratégica para o país. Não pode ser vista apenas como um nicho de mercado — aponta o coordenador de Agroecologia da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Rogério Dias.
Os esforços do governo, afirma Dias, estão concentrados na educação, com a criação de núcleos de agroecologia e produção orgânica em universidades públicas:
— O avanço da pesquisa nessa área ajudará a agricultura convencional, que precisa também do controle biológico para reduzir barreiras fitossanitárias, como a resistência de plantas a agrotóxicos.
Com legislação própria desde 2003, a produção orgânica passou a ser certificada obrigatoriamente desde 2011 no mercado brasileiro, com um selo específico para o consumidor identificar o produto. A ação busca diferenciar os orgânicos e informar o que está por trás da agricultura ecológica.
Certificação garantida
O produtor deve fazer parte do Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos, o que 
é possível apenas se estiver certificado por um dos três mecanismos abaixo:
Auditoria: a concessão do selo SisOrg é feita por uma certificadora pública ou privada credenciada no Ministério da Agricultura. A avaliação obedece critérios internacionais, além de requisitos técnicos estabelecidos pela legislação brasileira.
Controle na venda direta: a legislação brasileira abriu exceção na obrigatoriedade de certificação dos produtos orgânicos para a agricultura familiar. Exige-se, no entanto, que o produtor se credencie a uma associação que seja cadastrada em órgão fiscalizador oficial.
Participativo de garantia: caracteriza-se pela responsabilidade coletiva dos membros do sistema, que podem ser produtores, consumidores, técnicos e demais interessados. Para estar legalizado, o sistema tem que ter um Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade (Opac) legalmente constituído, que responderá pela emissão do SisOrg. 
fonte http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2015/06/produzidos-sem-agrotoxicos-alimentos-organicos-buscam-mais-espaco-na-mesa-do-consumidor-4772643.html

sábado, 23 de maio de 2015

Após alerta de OMS, Colômbia proíbe uso de glifosato


Na última quinta-feira (14), o governo colombiano anunciou que não usará mais glifosato nas plantações. A decisão ocorre semanas depois da Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmar que a substância é potencialmente cancerígena.
O herbicida é utilizado no país, principalmente, para destruir as plantações de drogas ilícitas, como no cultivo ilegal de coca. Mas, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirma que já vinha acompanhando os possíveis efeitos do glifosato na saúde humana por meio de estudos. Foi ele quem pediu a suspensão do uso ao Conselho Nacional de Entorpecentes (CNE) baseado no “princípio de precaução”.
Foi determinado que o país terá até o dia primeiro de outubro para fazer a transição. No período, especialistas devem buscar alternativas e a decisão, afirma o presidente, não deve ser vista como um recuo contra o narcotráfico – estima-se que a Colômbia produza 300 toneladas de cocaína por ano.
No Brasil, o Ministério Público Federal enviou documento à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendando que seja reavaliado urgentemente o uso da substância no país e que seja banido do mercado nacional.
Tais decisões afetam diretamente a empresa Monsanto, que comercializa o principal produto de glifosato, sob o nome Roundup. As críticas dos consumidores já são antigas, mas ganhou mais força nos últimos meses após um estudo da Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (AIPC), órgão ligado a OMS. Com base nas pesquisas, um alerta foi divulgado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Para especialistas, é a primeira vez que uma agência confiável divulgou estudo sobre o glifosato. O herbicida, que também pode ser responsável por alterações cromossômicas e de DNA, é o herbicida mais vendido no mundo. Mas, também foram classificados como cancerígenos as substâncias: malation, diazinon, tetraclorvinfos e paration. Para conferir o relatório completo, clique aqui.
O Sri Lanka foi o primeiro país a proibir a venda e o uso do pesticida em todo o seu território. A Holanda e El Salvador são outros países que baniram o agrotóxico.
Veja abaixo a nota de posicionamento da Monsanto sobre o assunto:
"A segurança dos nossos produtos é uma prioridade da Monsanto. Todos os usos de produtos registrados à base de glifosato são seguros para a saúde e o meio ambiente, o que é comprovado por um dos maiores bancos de dados científicos já compilados sobre um produto agrícola. Para estar no mercado, todo herbicida à base de glifosato precisa atender padrões rigorosos determinados por autoridades regulatórias, visando proteger a saúde humana, animal e o meio ambiente.

Essa base científica é apoiada também pelo amplo histórico de uso seguro do glifosato. Trata-se de um dos herbicidas mais usados no mundo, por mais de 40 anos e em mais de 160 países, sendo produzido e comercializado por diversas empresas. Tudo isso leva os cientistas das agências regulatórias mais exigentes do mundo a concluir que o glifosato é um produto seguro para a saúde e o meio ambiente.
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Redação CicloVivo